PORTUGAL

Como os grandes parques solares podem proteger a biodiversidade

Durante anos, energia solar e natureza foram apresentados como opostos. A perceção dominante era simples: quanto maior o parque, maiores os impactos da energia solar sobre os habitats.

A evidência científica europeia mostra algo diferente. Os impactos não dependem apenas da dimensão do projeto, mas sobretudo da localização e da gestão. Quando bem planeados, projetos solares responsáveis podem proteger habitats, melhorar a saúde do solo e apoiar polinizadores.

Como podem os grandes projetos solares proteger a biodiversidade?

Projetos de energia solar responsável protegem habitats quando evitam áreas sensíveis, reduzem perturbações durante a construção e implementam uma gestão ecológica ativa ao longo do tempo. Um estudo da Agência Francesa para a Gestão do Ambiente e Energia sublinha que os impactos sobre biodiversidade permanecem limitados quando os projetos aplicam corretamente a sequência “Evitar–Reduzir–Compensar”.

O mesmo estudo afirma que a magnitude dos impactos da energia solar depende do estado ecológico inicial, do layout do projeto e da gestão da vegetação. Ou seja, na relação entre energia solar e natureza, o planeamento e a gestão contínua são o fator chave.

Energia solar em grande escala, biodiversidade em crescimento

A relação entre energia solar e natureza tem sido amplamente analisada em vários países europeus, com base em monitorização no terreno e não em projeções teóricas.

Um relatório de 2025 da Solar Energy UK analisou 124 parques solares no Reino Unido, tendo identificado 314 espécies vegetais e 94 espécies de aves nos parques estudados. Ou seja, os projetos com maior foco em biodiversidade registaram:

  • maior riqueza de plantas
  • maior diversidade de invertebrados
  • maior número de espécies de aves

Conclusão: os impactos da energia solar na biodiversidade variam consoante a gestão ecológica implementada.

Energia solar comparado com quê?

Na Alemanha, um estudo de 2025 conclui que a conversão de agricultura intensiva para parques solares com gestão extensiva pode reduzir os impactos da energia solar face ao uso anterior do solo, aumentando a diversidade vegetal e favorecendo insetos e aves.

A transição para modelos de solar responsável pode gerar efeitos positivos mensuráveis:

  • Redução de fertilizantes químicos, diminuindo a pressão sobre a saúde do solo e reduzindo a contaminação difusa
  • Ausência de pesticidas, favorecendo insetos e polinizadores essenciais aos ecossistemas rurais
  • Criação de margens floridas e zonas de vegetação espontânea, aumentando a diversidade vegetal e os recursos alimentares para aves
  • Menor mobilização do solo, contribuindo para a estabilidade estrutural e retenção de carbono

Estes fatores reforçam a proteção ambiental, demonstrando que os benefícios da energia solar podem ser também ecológicos quando existe planeamento adequado na relação entre energia solar e natureza.

Então como reduzir os impactos da energia solar?

A abordagem reconhecida internacionalmente é clara: evitar → minimizar → compensar.

Projetos de energia solar responsável devem:

  • Evitar habitats prioritários
  • Preservar linhas de água e solos agrícolas
  • Manter corredores ecológicos
  • Monitorizar a biodiversidade ao longo do tempo

A escala não determina o impacto. A gestão sim.

O caso do Parque Solar Sophia

O Parque Solar Sophia, desenvolvido pela Lightsource bp Portugal, foi desenhado com base em estudos ambientais detalhados na região do Fundão, Penamacor e Idanha-a-Nova.

Entre os compromissos assumidos estão:

  • Proteção de azinheiras e sobreiros em povoamento e em núcleos de elevado interesse ecológico
  • Preservação de solos de maior aptidão agrícola e em Reserva Agrícola Nacional
  • Gestão sustentável da vegetação
  • Respeito por zonas húmidas e linhas de água
  • Integração paisagística cuidada

O objetivo é claro: reduzir os impactos da energia solar e reforçar a proteção ambiental do território.

Conclusão

A evidência científica indica que energia solar e natureza podem coexistir. Não automaticamente, mas quando existe planeamento, monitorização e compromisso com a proteção ambiental.

Grandes projetos solares não são sinónimo de degradação ecológica. Quando bem desenhados, podem contribuir para a transição energética e para a regeneração de ecossistemas locais.

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