PORTUGAL

Sinergia no uso do solo: agricultura, apicultura e energia renovável em harmonia

O avanço da transição energética tem vindo a aprofundar a reflexão sobre a forma como utilizamos o território. Impõe-se a questão: como expandir a produção de energia solar garantindo, ao mesmo tempo, a preservação da biodiversidade, a continuidade das atividades rurais e o uso sustentável do solo?

Cada vez mais a investigação científica sugere que estes objetivos não precisam de competir entre si. Através de um planeamento adequado e de práticas de gestão sustentável do solo, os parques solares podem contribuir para uma sinergia no uso do solo, onde agricultura, apicultura e energia solar podem coexistir na mesma paisagem.

Esta abordagem reconhece que a produção de energia, a atividade agrícola e a biodiversidade podem complementar-se mutuamente. De forma integrada com os usos tradicionais do território, projetos solares bem concebidos podem criar oportunidades para promover habitats que favoráveis a polinizadores, melhorar a saúde dos ecossistemas e valorizar paisagens rurais.

Parques solares como habitats para polinizadores

Os polinizadores desempenham um papel fundamental nos sistemas alimentares e na manutenção da biodiversidade. Segundo a Food and Agriculture Organization, cerca de 75% das culturas agrícolas dependem, pelo menos parcialmente, da polinização.

No entanto, as populações de polinizadores têm vindo a diminuir em várias regiões do mundo, sobretudo devido à perda de habitats, à intensificação agrícola e às alterações climáticas.

O Governo aprovou o plano “Polinizadores em Ação”, que define como prioridade a conservação e sustentabilidade dos polinizadores, essenciais para o equilíbrio dos ecossistemas. Apesar da grande diversidade de espécies em Portugal, estas populações estão em declínio devido à perda de habitats, mudanças no uso do solo, intensificação das atividades humanas, alterações climáticas, espécies invasoras e poluição. Para apoiar as ações prioritárias, o Fundo Ambiental irá disponibilizar 2 milhões de euros em 2026 e 2027. O plano contribui para o Plano Nacional de Restauro da Natureza e para o objetivo europeu de reverter o declínio dos polinizadores até 2030.

Estudos indicam que os parques solares podem contribuir para mitigar este problema quando integram práticas de gestão favoráveis à biodiversidade. No novo plano para a proteção dos polinizadores, Portugal reconheceu o que a investigação científica recente têm vindo a mostrar: parques solares geridos com vegetação nativa e prados floridos podem aumentar a presença de polinizadores e contribuir para a biodiversidade em paisagens agrícolas.

Ao ocuparem apenas uma parte da superfície do solo e ao permitirem a instalação de vegetação diversificada entre os painéis, os parques solares podem funcionar como refúgios ecológicos para insetos polinizadores e outras espécies, apoiando nos objetivos de criação e manutenção de habitats favoráveis a polinizadores previstos no plano “Polinizadores em Ação.

Apicultura e energia solar

Os parques solares podem oferecer condições favoráveis à instalação de colmeias: são geralmente espaços vedados, com perturbação humana limitada e com potencial para integrar vegetação rica em flores ao longo de grandes áreas. Quando são implementadas misturas de plantas melíferas, estes espaços podem fornecer néctar e pólen durante grande parte do ano.

Para além da produção de mel, a presença de polinizadores contribui para o funcionamento dos ecossistemas agrícolas circundantes. Investigação científica recente mostra que parques solares geridos com vegetação adequada podem apoiar comunidades de polinizadores e manter interações ecológicas entre plantas e insetos. Estudos publicados em 2025 indicam que a criação de habitats floridos dentro de centrais solares pode contribuir para uma maior diversidade de abelhas e outros polinizadores.

Paisagens rurais multifuncionais

Para além da apicultura, os parques solares podem apoiar outras práticas compatíveis com a gestão ecológica do território, como o pastoreio ou a manutenção de habitats naturais. A integração de vegetação favorável aos polinizadores pode também melhorar a estrutura do solo, reduzir a erosão e reforçar a conectividade ecológica entre diferentes áreas da paisagem.

Em vários países europeus, investigadores e promotores de energia renovável têm vindo a explorar este conceito de paisagens multifuncionais, onde produção de energia, biodiversidade e atividades rurais coexistem de forma equilibrada.

Energia renovável e biodiversidade: um caminho comum

Num contexto onde se prevê o crescimento da capacidade instalada de energia solar, a forma como os projetos são planeados e geridos será determinante para maximizar os seus benefícios ambientais.

A evidência científica sugere que a integração de habitats para polinizadores, práticas de apicultura e gestão ecológica da vegetação podem transformar parques solares em espaços que contribuem para ecossistemas mais saudáveis.

Quando concebidos com esta perspetiva, os parques solares deixam de ser apenas infraestruturas energéticas e passam a desempenhar um papel ativo na construção de paisagens rurais mais resilientes, onde energia renovável, biodiversidade e atividades agrícolas coexistem em harmonia.

A produção de eletricidade de origem renovável do Parque Solar Sophia contribui para a redução das emissões de gases de efeito de estufa (GEE) e para os objetivos do Plano Nacional de Energia e Clima (PNEC).

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